Petróleo, salários e El Niño: o que o Banco Central estudou no trimestre

O que o Banco Central estudou no 3º trimestre de 2026, em linguagem simples.
1. Petróleo e inflação. A alta dos preços internacionais do petróleo, associada ao conflito no Oriente Médio, pesou nos combustíveis e também em derivados, produtos químicos, plásticos e fertilizantes. As estimativas do BC sugerem que o impacto indireto sobre a inflação pode ser tão relevante quanto o direto. Até agora, os indicadores não apontam repasse relevante para preços e salários em geral (os chamados efeitos de segunda ordem), mas as expectativas de empresas e consumidores pedem acompanhamento.
2. Reajustes salariais. O BC passa a divulgar mensalmente indicadores de reajuste construídos com as convenções coletivas de trabalho (CCT) registradas no Ministério do Trabalho e Emprego: reajuste nominal, reajuste real (descontado o INPC) e a distribuição dos reajustes em relação à inflação. Os dados mostram reajustes muito próximos da inflação passada e ganho real predominante quando o desemprego está baixo.
3. El Niño e La Niña nas lavouras. No El Niño, os efeitos negativos são mais disseminados em milho, algodão e arroz. Na soja, variam entre estados. As projeções atuais para a intensidade do El Niño sugerem risco negativo para a produtividade agrícola em 2027. O próprio BC pede cautela: são poucos episódios entre 1990 e 2026.
4. Desemprego e dívida (Trabalho para Discussão nº 649). Quem sofre perda permanente de renda reduz consumo e endividamento e tem maior probabilidade de ficar inadimplente depois de perder o emprego.
Por que importa na perícia contábil: convenção coletiva, custo de insumo e perda de safra são prova em ação trabalhista, revisão de contrato e crédito rural. Estudo do BC ajuda a entender o cenário, mas não substitui o documento do caso.
Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária de setembro de 2026 (boxes publicados em 24/09/2026) e Trabalho para Discussão nº 649 (agosto de 2026). bcb.gov.br/publicacoes/rpm
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